No começo, parecia diferente. A pessoa era outra, o jeito era outro, a promessa era de que agora seria diferente. Alguns meses depois, você se pega no mesmo lugar de antes: cuidando demais e sendo pouco cuidado, cobrando atenção, ou se afastando justamente quando a relação fica séria. E a pergunta volta: por que meus relacionamentos sempre terminam do mesmo jeito?
Essa pergunta costuma vir acompanhada de cansaço e de alguma culpa. Muita gente conclui que escolhe mal, que tem azar ou que existe algo errado consigo. Quero propor outro olhar.
Padrão não é defeito, é história
A forma como nos relacionamos não surge do nada. Ela vai sendo construída ao longo da vida, a partir do que vivemos nas primeiras relações, principalmente na família. Ali aprendemos, sem perceber, o que é demonstrar afeto, como se lida com um conflito, o que acontece quando pedimos algo e quanto espaço podemos ocupar perto de alguém.
Essas aprendizagens já foram formas de se proteger e de pertencer. O problema é que, muitas vezes, continuam funcionando no automático em relações onde já não fazem sentido. Gosto de resumir assim: sua história influencia quem você é. Mas ela não precisa continuar escolhendo por você.
Alguns padrões que se repetem
Cada história é única, mas alguns movimentos aparecem com frequência em quem procura terapia por causa de relacionamentos:
- sentir que precisa merecer o amor do outro o tempo todo;
- se aproximar de pessoas pouco disponíveis e se esforçar para conquistá-las;
- evitar conflito a qualquer custo e acumular o que não foi dito;
- afastar-se quando a intimidade aumenta, mesmo desejando proximidade;
- sentir-se sozinho mesmo estando acompanhado.
Reconhecer-se em algum desses pontos não define quem você é, nem diz nada sobre a gravidade do que vive. É só um ponto de partida para olhar com mais cuidado.
A família de origem entra na conversa
Na Terapia Familiar Sistêmica, olhamos para a pessoa dentro das relações que a formaram. Um recurso que pode ajudar é o genograma, uma espécie de mapa da família em que observamos vínculos, rupturas, lealdades e repetições ao longo das gerações. Muitas vezes, ao desenhar esse mapa, a pessoa percebe que aquilo que vive hoje tem raízes bem anteriores a ela.
Isso não serve para encontrar culpados no passado. Serve para compreender de onde vêm certas reações e para ganhar liberdade em relação a elas.
De narrador a autor da própria história
Na terapia, meu objetivo é ajudar você a imergir na própria história, não apenas como narrador, mas como autor. Narrar é contar o que aconteceu. Ser autor é conseguir sentir o que está sendo narrado, reconhecer os padrões que se repetem e perceber como essa história participa das escolhas de hoje.
Junto com o olhar sistêmico, trabalho com a Terapia Focada nas Emoções, que ajuda a acessar o que existe por trás da reação: as emoções e as necessidades que nem sempre encontram palavras. É comum descobrir, por exemplo, que a cobrança constante esconde um medo antigo de ser deixado, ou que o afastamento protege de uma vulnerabilidade difícil de mostrar.
O que muda quando você compreende o padrão
Compreender não apaga a história, e nem precisa. A ideia é poder compreender a sua história sem continuar sendo conduzido automaticamente por ela. Com o tempo, a pessoa costuma perceber o padrão mais cedo, nomear o que sente com mais clareza e experimentar outras respostas nas relações, inclusive na relação consigo mesma.
Esse trabalho acontece no individual, sem que seja preciso estar em um relacionamento agora. Também pode acontecer com o casal, quando os padrões de cada um se encontram e formam uma dança que se repete.
Se você se reconheceu
Se você sente que vive a mesma história com pessoas diferentes, talvez valha a pena olhar para ela com companhia. No site você encontra mais sobre para quem é o meu trabalho e uma avaliação inicial rápida. Se preferir, pode me mandar uma mensagem pelo WhatsApp. Atendo presencialmente em Natal e online.