“Mas o que a gente vai fazer lá?” Essa é uma das perguntas que mais escuto de quem pensa em começar a terapia de casal. Às vezes vem acompanhada de outras: será que a psicóloga vai tomar partido? Vamos ter que expor tudo logo de cara? E se ficar pior antes de melhorar?

São dúvidas legítimas. Não saber o que acontece em uma sessão é um dos motivos que fazem muitos casais adiarem um cuidado que desejam. Por isso, quero contar como o processo costuma funcionar na prática.

A terapia de casal não é um tribunal

Antes de qualquer coisa: o objetivo não é decidir quem tem razão. Eu não olho para quem está errado. Olho para o ciclo que se forma entre vocês, para aquilo que existe por trás da reação de cada um e para o que acontece entre as pessoas.

Também não se trata de eliminar emoções ou de seguir uma receita em passos. O tratamento é construído de forma colaborativa, respeitando o momento e a história de cada casal.

A primeira sessão

A primeira sessão é um espaço de acolhimento. Conversamos sobre o que trouxe vocês até ali, o que está acontecendo atualmente, as principais dificuldades e aquilo que gostariam de transformar. Busco compreender a experiência de cada pessoa e a dinâmica que acontece entre os dois.

Vocês não precisam chegar com tudo organizado. É comum que cada um tenha uma versão diferente da história, e isso faz parte. As duas versões importam.

Como o processo se organiza

O trabalho segue um percurso que vai da história às escolhas. Não é uma linha reta, porque relacionamentos não são lineares, mas costuma passar por alguns movimentos:

  1. História: construir um espaço seguro para que cada um apresente sua demanda e sua trajetória.
  2. Consciência: observar como vocês se tratam, os significados que dão às experiências e as influências das famílias de origem.
  3. Emoções: acessar o que está por baixo da raiva ou do silêncio, as necessidades que nem sempre encontram palavras.
  4. Padrões: mapear a dança relacional, o ciclo que mantém o conflito, a distância ou a dificuldade de conexão.
  5. Novas possibilidades: experimentar outras formas de falar, pedir, ouvir e se aproximar.
  6. Escolhas: decidir, com mais consciência, como vocês querem seguir.

O que acontece dentro das sessões

As intervenções são escolhidas de acordo com a compreensão de cada caso e com o momento do processo. Entre os recursos que podem aparecer estão a escuta empática, o mapeamento do ciclo relacional, a exploração das emoções vividas ali mesmo, o genograma, as perguntas circulares e o ensaio de novas formas de interação.

Na prática, isso pode significar desacelerar uma discussão que começou na sessão para entender o que cada um sentiu naquele instante, ou ajudar um parceiro a traduzir uma crítica em um pedido. Meu papel é sustentar um ambiente em que os dois possam se arriscar a mostrar o que costumam esconder.

E quando só um quer ir?

Acontece com frequência. Nesse caso, é possível começar um processo individual. O foco passa a ser a sua experiência, seus padrões e a forma como você participa da relação. Não é uma tentativa de mudar o outro à distância, mas, quando uma pessoa muda a forma de participar, a dinâmica do casal também pode mudar.

Presencial ou online

Atendo presencialmente em Natal, no bairro de Lagoa Nova, e também online, por videochamada. No formato online, o importante é que vocês tenham um lugar reservado, onde se sintam à vontade para conversar sem interrupções. Na primeira conversa, podemos pensar juntos no formato que faz mais sentido para a rotina de vocês.

Por onde começar

Se ainda restam dúvidas, você pode ler as perguntas frequentes do site ou fazer a avaliação inicial, que ajuda a olhar para o momento de vocês com mais clareza. E, quando sentirem que é hora, é só me chamar no WhatsApp para combinarmos a primeira sessão. O primeiro passo é sempre o mais desafiador, e vocês já o deram ao chegar até aqui.

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